Encontro em prosa e verso: Silvia Kimo Costa

A Editora Via Litterarum – Via entrevista a poeta, escritora, ilustradora e  professora, abordando algumas questões com vistas à compreensão acerca do ato de escrever e sobre a criação literária propriamente dita.

SOBRE O ATO DE ESCREVER

VIA – Como e em que momento ou circunstância você se percebeu como LEITOR e que a leitura faria parte de sua vida? 

SK – Aos cinco anos de idade quando aprendi a ler.

VIA –  Como e em que momento ou circunstância se percebeu como CRIADOR LITERÁRIO ou AUTOR e que escrever faria parte de sua vida?

SK – Comecei escrever porque, na verdade, queria mostrar meu trabalho como ilustradora. Ganhei dois concursos de literatura infantil. Um em 2004 (A magia dos sonhos) e outro em 2006 (Laila e as estrelas). Os livros foram publicados pela Editora UFV.

VIA – Hoje, em termos de ocupação do tempo dedicado ao trabalho, qual o espaço ocupado pela literatura?

SK – Leio livros e artigos acadêmicos e de literatura diariamente. No que tange ao processo de criação de minhas histórias, não considero apenas livros como referências, mas filmes, séries, animações e HQs.

VIA –  Alguns autores escrevem como uma necessidade existencial. Se fosse possível resumir a motivação principal do porquê escreve, qual seria?

SK – Escrevo assim como desenho, porque me faz bem!

Acalma o coração e liberta a alma!

Pouco me importa se irão gostar ou não do que escrevo. Não escrevo para as/os outras/os, escrevo para mim!

VIA –  No período de um dia, qual seria a rotina enquanto escritor?

SK – Poesia, escrevo todos os dias. Em qualquer momento. As palavras simplesmente surgem e as coloco no papel.

Aventuras, depende da inspiração. Geralmente me dedico à história nos finais de semana.

VIA –  Como fica a sua relação entre INSPIRAÇÃO e REELABORAÇÃO DO TEXTO ESCRITO na sua criação literária?

SK – Quando a história está bem consolidada, raramente reelaboro texto. Quando as ideias estão nebulosas e começo a reescrever o que estava escrito, paro e só retorno quando a história sedimenta.

SOBRE A CRIAÇÃO LITERÁRIA:

VIA –  Seguramente, todo escritor é antes um leitor. Enquanto leitor, qual autor (ou autores) e qual obra (ou obras) considera mais relevante para ser o escritor que é?

SK – Li todos os livros da fase romântica e realista da literatura brasileira dos 10 aos 15 anos de idade. Herdei uma coleção de José de Alencar e outra de Machado de Assis de minha avó materna, cuja edição data de 1955. Esses autores influenciam, de certa forma, minha maneira de escrever. Mas o que me inspira e faz de mim a escritora que sou não é a literatura clássica, mas sim outra categoria de “texto”: HQs, filmes de fantasia, de ficção científica, séries da mesma categoria, ilustrações, animações.

VIA – Da primeira publicação até hoje, quantas obras possui?

SK – 11 livros.

VIA – Qual obra considera a principal?

SK – Gosto de todos os livros que escrevi, mas os que mais fascinam o público para o qual escrevo são o “Caçadores de Quimeras” (2010) e o “Portas e Gatos” (2021). São aventuras de fantasia, infanto-juvenis.

VIA –  Em qual gênero literário se situaria a parte principal de sua criação literária e que experiencias possui em relaçao aos outros generos literários?

SK – Escrevo na categoria que aqui no Brasil consideram como “romance de entretenimento”. Não tenho pretensão de explorar outros gêneros literários. Minhas poesias também podem ser enquadradas no “entretenimento”.

A vantagem dessa categoria é que atende o público jovem em geral.

VIA –  Quanto escreve ficção, ao iniciar a narrativa está praticamente pronta ou essa tem vida própria, surpreendendo o próprio autor, só se conhecendo o enredo e o fecho no próprio processo de criação?

SK – Tem vida própria. A história vai fluindo como se eu estivesse assistindo a um filme.

VIA –  Como vê a literatura em tempos de Internet, redes digitais, ChatGPT e outros aplicativos de Inteligência Artificial?

SK – Não uso aplicativos de Inteligência Artificial para auxílio no processo de escrita. A internet é imprescindível para pesquisa e as redes sociais fazem toda diferença na divulgação dos livros. É um trabalho pessoal da autora/autor. Hoje em dia ninguém lê seu livro se você não interagir com seu público em rede social.

VIA –  Qual o maior problema para a poesia e a ficçao, em uma palavra, para a literatura hoje?

SK – Se a gente não se adaptar à maneira atual como se divulgam tais categorias, esqueça! Não se lança livro presencialmente, se faz live! Não se espera livro chegar para iniciar a venda, realiza-se pré-venda! Não se compra livro em livraria, existe Amazon, Mercado Livre e outras plataformas.

Vamos às livrarias para tomar um café, vinho e encontrar pessoas, pode ser que no processo a gente compre algum livro.

As feiras literárias também fazem toda a diferença!

VIA –  Em qual (ou quais) projeto literário está se dedicando no momento?

SK – Estou escrevendo um duo de poesias. Chama-se “Transbordo”. O primeiro livro já se encontra em processo de impressão.

Se quiser conhecer essa empreitada basta seguir o perfil do livro no Instagram: @transbordo_skcosta

 

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