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Adylson Machado lança coletânea com romance, crônica e contos

Depois do romance Amendoeiras de Outono (2005) e do ensaio O ABC do Cabôco (2008), a Editora Via Litterarumlança novos títulos do escritor Adylson Machado. Advogado e professor, ele apresenta a crônica “Chama o Burro e outras Crônicas de Antanho e Portal da Piedade, os contos “O cinza e o Silêncio” e “Lambe-lambe” e o romance “Entre Nuvens de Âmbar”. O lançamento será dia 20, às 19 horas, no Espaço Vozes Grapiúnas, no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna.

Reflexões autorais em torno da contemporaneidade, sem deixar – marca de sua escrita – de fixar valores e experiências da vivência apreendida: o homem como Ser, a vida como Esperança, o erro muito mais como fruto das distorções a que levado aquele pelo convívio social, onde o material não cumpre tão só a finalidade de atender à sobrevivência, mas avança, inexorável, sobre o existir, sacrificando a destinação da espécie.

Observa o jornalista e escritor Antônio Lopes, em apresentação a O Cinza e o Silêncio: “Nessa coletânea, Espelho Partido e Carrilhões me parecem contos antológicos, que prendem o leitor e o levam a um final dramático. Em Carrilhões, a navalha que se insinua no começo tem papel decisivo no final – uma exigência do grande conto. […] Adylson Machado, se falamos dessa coisa um tanto vaga, aqui chamada arbitrariamente de ‘literatura do sertão’ (seja no romance ou na estória de mais curto fôlego), lembra Graciliano Ramos, tangencia Guimarães Rosa e assenta-se ao lado de Francisco J. C. Dantas. Não é pouco.”

Em Lambe-lambe não só o permeio entre tensões e emoções, mas condução textual que expõe “[…] a rica trajetória de vários personagens que evidencia o tempo e o lugar significados pelo olhar perspicaz e multifacetado do autor […] “No plissado do tempo que insiste em se revelar, o espaço e os personagens refletem a sua universalidade tecidos na musicalidade cadenciada da prosa poética” – assinala a professora Maria Laura Gomes. “Há um delicioso cheiro de Machado de Assis”, em “Calçada a vida com botas de incerteza…”– realça Antônio Lopes.

O sociólogo Agenor Gasparetto, em prefácio a Entre Nuvens de Âmbar, observa: “Não será exagero encontrar a presente obra na prateleira do romance aberto, em que o narrador principal situa os diversos quadros a concluir-se com a utopia de um encontro com um sonho impossível, sustentado na conversa pretérita da existência de um el dorado nos confins do sertão”.

Para entender Chama o Burro e outras Crônicas de Antanho e Portal da Piedade, convoca-nos o próprio autor: “Trilhamos por compreender que vivemos época em que a velocidade, no espaço percorrido e no tempo dispendido, ocupa singular significado em todos nós. A leitura não foge ao inexorável. E a crônica, por excelência, caracterizada por ser texto de leitura rápida, dispensa debruçamentos outros. Cabe sabê-la capaz de ocupar o precioso instante eleito por cada um, cativando-o além do folheio, e conter um toque sutil de novidade.”

Ao ler Adylson Machado uma conclusão se impõe: o autor expande o leque de seus textos ao leitor que, no fundo, é dele aliado, fonte e personagem.

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